segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Clock



  Por um período longo o meu tempo parou. O relógio parou com o habitual "tic-tac" e os ponteiros congelaram em um horário que não me interessa. A vida tornou-se um ciclo, da qual eu não sabia qual era o início e nem quantas voltas eu estava dando. O tempo não me ajudava, afinal eu sempre olhava no meu relógio e o tempo era sempre o mesmo.
  Até que resolvo joga-lo no chão, estilhaça-lo e caminhar pelas curvas, a rebeldia antes escondida agora se mostra em seus aspectos mais desastrosos, mais destrutivos e mais aleatórios. Eu sou o louco que canta na chuva enquanto os outros se escondem embaixo dos guarda-chuvas cinzas, aquele que dança no meio da rua quando estão vendo ou não, que não esconde o sorriso perante a simples felicidade de acordar e caminhar, que ri de si mesmo em situações constrangedoras. Eu sou o rebelde que desejei ser...
  Desejar. Fosse isso que faltava para mim, olhar para o meu desejo que urrava dentro de mim, como o feroz animal da qual o instinto já tinha captado o erro que era andar em círculos, desejo que eu escondia e deixava os dos outros sempre a frente.
  Mas agora o relógio não existe mais, existe apenas um chapéu de um chapeleiro qualquer, existe apenas a marca de louco na rebeldia sem lógica. Porém por tanto tempo eu nunca me senti eu mesmo, no mais profundo do meu ser, eu nunca me senti tão eu mesmo...
  Talvez o rebelde não seja tão rebelde, seja apenas o que sou. Talvez o louco não seja louco, seja a mais sensata das minhas expressões. E talvez a minha arte não seja sem sentido e sim, a mais ingenua forma do meu desejo...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012


A minha sanidade anda corrompida,
Os muros sucumbiram,
Diante da mente comprometida,
As idéias lúcidas sumiram,
O mundo mudou,
Também se calou.
A solidão é a minha companheira,
Tende a ser a minha herdeira,
De um reino falido,
Que espero ser lido,
Para a dama que o destinei,
Dama que tanto amei...
Os rabiscos se tornaram borrões,
As idéias flutuantes,
Os sentimentos em turbilhões,
O amor mais distante.
A poeisa é vaga,
Produzi-la é uma árdua saga,
Sem sentimentos é vazia,
Me produzem ânsias,
E asco do que escrevo,
Que não condiz com que vejo,
Porque você é a melodia,
Que faz o meu dia...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Trigger



  Minha mente funciona de um modo tão estranho. Eu sempre me sinto apontando uma arma para ela sem nunca conseguir tirar nada, uma pressão inútil que eu mesmo aplico a coitada. Porém quando eu puxo o gatilho uma explosão de idéias vem, um turbilhão de pensamentos mesclados nas mais diversas emoções. Isso está me enlouquecendo! Parece que eu perco a sanidade e tudo isso toma conta de mim!
  Uma hora eu sou um apaixonado platônico a procura da sua musa, outra eu pareço um serial killer com idéias completamente insanas, depois pareço um sádico que se tortura nas antigas lembranças e volto para o anjo que quer ajudar a todos acima de tudo. São todas as minhas facetas se expressando em um só momento por um só tiro. O meu ponto de ignição parece o mesmo para tudo!
  Estou enlouquecendo, pouco a pouco estou enlouquecendo...

  Peço então, perdão a todos que leem esse blog. De fato ele não é o mesmo sem a Tori por perto, muito menos eu, estou perdendo o meu rumo e o rumo que quis tomar para ele. Talvez eu dê um pequeno recesso, até encontrar um ponto para me apoiar. Sinceramente, parece que me apaixonar sempre retoma a minha sanidade...e criatividade...e arte...

H-ope

O erro do título é proposital.

  Alice, minha querida, me senti na obrigação de escrever uma pequena reflexão a você. Eu não posso ajudá-la de uma forma direta, mas sempre acredito que as palavras podem mudar o mundo. É verdade que esse pequeno texto não tem esse objetivo, mas é como um abraço quente no seu inverno que não termina...


  Uma corda não é só uma metáfora, é um utensílio. Já parou para pensar em quantas coisas da para se fazer com uma corda? Pode ser aquela que nos enforca e termina com essa vida tão incógnita. Também pode ser aquela que nos segura quando pulamos de um precipício e salva essa vida tão minúscula. Ela pode ser tantas coisas...
  Mas te vejo assim, segura por uma corda. E as fibras, uma a uma vão se despedaçando, as memórias não são eternas e a força que aplicamos uma hora irá arrebentar essa corda. Também há a hora em que devemos largar a nossa segurança, andar sobre uma montanha sem a sensação de estar seguro por algo preso ao seu corpo. Porém não tenhamos pressa, cada passo precisa ser dado com calma e cada passo quebra uma fibra. A corda se arrebenta, mas você não sente o impacto, nem a diferença, seus pés aprenderem a andar e a sua alma a viver.
  As lembranças nos servem bem, porém nunca para sempre. Corte a corda aos poucos, caminhe com seus dois pés, troque uma segurança por outra e assim ande para frente. Ofereço-a a minha mão, talvez não tão firme quanto uma corda, mas prometo aperta-la contra a sua para que sinta a mesma segurança...

Yuki.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Título? Pra que título?

  Pra que título se não há poesia, se não há conteúdo?
  Pra que conteúdo se não há idéias, se não há inspiração?
  Pra que inspiração se não há amores, no vago coração?
  E pra que coração, quando o que se tem é esse enigma?
  Esse enigma que constitui a vida, que constituí a nós. Pra que?

domingo, 23 de setembro de 2012

Build the Music

Crédito da imagem: Luiza Prado

  O motivo do título? Não sei, mas foi isso que veio em minha cabeça quando vi a imagem.

  O violinista às vezes sofre por não se fazer entendido. A música assim como a própria pessoa se constituem em enigmas que poucos entendem, as vezes nem mesmo ele consegue entender o próprio enigma. O fato é que surgem coisas daí, surge a arte, surge a música, surgem tantas outras coisas. Como se as peças desse enigma urgissem para se expressarem, pouco a pouco numa tentativa de se fazerem claras.
  Porém essa urgência também corrói o violinista. O corrói pelo motivo inverso, essa tentativa de se expressar se torna cada vez mais nebulosa aqueles que o vêem, pior, torna-se cada vez um ato solitário já que ele não se faz entender.
  Recolhido em ruínas, o som do violino ecoa sobre as paredes frias do concreto, aquele que resistiu ao tempo, a destruição e ainda encontra-se de pé. E assim quer que seja a sua arte, que se faz ouvir ao ancião para que ele também grave em suas paredes o som, para que ele também seja eterno, para que ele também tenha o seu lugar...

[Vejo que cada vez mais eu sou o violinista, tornando-me cada vez incompreensível perante aos outros e a mim]