quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Vou rifar o meu coração


  É isso mesmo, vou rifar o meu coração! Vou coloca-lo na vitrine, sem preço, sem nada. Deixar que as pessoas que querem levá-lo, cuida-lo, joga-lo fora ou tirarem ele dali por caridade, não me importo, vou rifá-lo!
  É tempo de viver amores falsos, ilusões de amor e carinhos vagos. Posso ser o que você quiser, quem você quiser, sem compromisso algum, passe e leve o meu coração, como quem não quer nada, experimente e se não gostar devolva.
  Esse é o castigo, esse é o seu castigo por ser tão tolo, seu castigo por ter me torturado em seus amores cegos, em seus amores intensos e seus amores perdidos. Eu sou cruel também e não vivo só de você, tolo coração.
  Então vou te deixar de castigo, vou tortura-lo com amores falsos, com ilusões de amor, com o amor comprado e combinado...até que você entenda que mesmo com tantos amores, que mesmo em tantas mãos, em tantos lugares, em tantos outros corações, você ainda é dela...
  No fundo você sempre foi dela e ambos sabemos. Vamos parar de nos torturar e logo aceitar, é o amor dela que precisamos, é a presença dela que o anima e me anima. Vamos parar de rifá-lo e deixá-lo, no bau seguro que ela criou, parte no peito dela, parte nas mãos e outra junto ao coração dela....

Postes de luz



  É como naqueles filmes hollywoodianos. O ar obscuro enquanto você anda numa rua deserta, levanta a gola do cassaco para se proteger do frio que faz as suas bochechas corarem, mas não de um jeito bonito ou gracioso, simplesmente de frio, levanta os ombros para se proteger melhor e caminha.
  A sua sombra é a sua única companheira, o barulho dos seus passos fazem ecos, num jogo de sons e visões para não te fazer parecer tão solitário, parece que caminham ao meu lado, parece que tenho companhia... mas pior de tudo isso são os momentos reflexivos, embalados pelo clima do andar.
  A lua ilumina fracamente a rua que é mais bem iluminada pelos postes de luz. Levanto o olhar em direção a eles, forçam meus olhos a se cerraram e por vários instantes encaro a luz sem sair do lugar, até voltar a andar.
  Engraçado como as pessoas, as minhas relações, as minhas memórias são como esses postes de luz que magicamente vão se apagando quando eu passo por eles, deixando a rua atrás de mim escura. Assim são as minhas relações, as pessoas veem, aparecem, gravam suas memórias, sua ternura, seu carinho ou o que quiserem gravar e então o tempo passa, a vida corre e eu as apago ou elas simplesmente me apagam. As luzes vão se apagando uma a uma até a rua se tornar um completo breu e eu nem sei para onde estou caminhando.
  Mas toda lâmpada, toda luz ainda deixa resquícios e em meio as sombras, ainda é possível ver a fraca luz piscar, deixam também sensações como aquele gostoso calor que aquece as suas mãos quando se está perto. E no fim, eu não sou o aniquilador de todas as luzes, sempre há um acendedor de lâmpadas atrás de mim, cuidando para que essas luzes não se apaguem e quando todas se acendem, continuo o meu caminho, afinal eu consigo enxergar à frente e até onde eu preciso ir...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

23

Esses seus olhos cor-de-você-mesmo perdem o brilho quando repousam em mim. Essas suas mãos têm um toque frio nos meus ombros. Sua voz não me acorda as borboletas no meu estômago. Está mais do que claro que eu não sou o espelho certo para te refletir. (Justo eu que queria tanto amplificar essa sua luz!)
Te escrevo frases que machucam e não tenho coragem de mandar. As palavras bonitas se perdem na minha garganta e eu fico sem dizer - dizer o que mesmo?


Cada dia mais eu me convenço de que ainda não aprendi a deixar as pessoas irem embora.

E entre tudo...


  E dentro de todos os assuntos que tenho para escrever sobre, eu escolho você. E sabe por que?
  Porque é você que me motiva a tal, é o motor que me impulsiona a criar esse mundo para nós, mundo que permeia, brinca entre o imaginário e a realidade. O presente do meu adulto com a ingenuidade e genialidade do meu eu criança...
  Construído pouco a pouco. Cada palavra é um tijolo, cada tijolo é um segundo que passo com você. De uma pilha de tijolos vem uma casa, então um castelo de um conto de fadas que quero que me ajude a construir.
  Me dê a mão, feche os olhos e viva comigo essa fábula sem fim, porque aqui as horas não correm como segundos, mas são eternas, reescritas e reeditadas para que sempre fiquem como nós queremos nesse refúgio seguro...

domingo, 2 de dezembro de 2012

O mundo sobre as linhas do papel


  Antes de começar, queria me desculpar por duas coisas: a falta de posts (pelo menos isso faz com que vocês apreciem mais os posts da Tori) e o título. O primeiro se deu pelas provas da faculdade e o segundo porque eu sou uma criança e o título veio dessa forma em minha mente e eu não quis negligência-lo.

  Escrevo sobre o meu modo de escrever, sobre o meu escrever. Eu não sabia até me chamarem atenção, eu não sabia até as pessoas próximas me dizerem o quanto o meu escrever conta. Acho que como autor eu nunca me dei muito crédito, como escritor eu nunca me dei muita perspectiva. Querendo ou não era sempre uma luta contra mim e contra esse sentimento de uma escrita vazia e auto reflexiva.
  Vejo agora que é mais do que os meus olhos vêem e mais do que meus dedos escrevem. Estou aqui criando mundos em que as pessoas se identificam, mundos que as pessoas tem onde se encontrar, tem onde se confortar, tem onde depositarem as suas expectativas, os seus amores, as suas dores, as suas felicidades e as suas lágrimas.
  Vendo isso eu só tenho uma coisa a dizer: obrigado. Obrigado a todos vocês que compartilham desse meu mundo que disponho a vocês, me vejo agora como um artista diferente e não tão só, me vejo agora quase como um modelador de mundos e somado a minha paixão por escrever, agora vem junto esse sentimento delicioso de estar criando espaços para as pessoas. Porque também acho que todos os sentimentos precisam ter o seu lugar, que as coisas que apenas nós captamos precisam ser gravadas, que as palavras que nunca quisemos falar tenham também o seu espaço, os segredos que guardamos tenham um outro baú para serem guardados...
  Enfim, agradeço a todos que me fizeram ter essa percepção e não se preocupem, eu cuido bem de todos esses seus sentimentos....

22

Sinto falta de quando as pessoas não tinham medo de dizer não.
Sinto medo quando as coisas não saem da maneira que eu planejei.
Sinto raiva quando me vejo criando expectativas.
Sinto vontade de rir quando preciso explicar a mesma coisa mil vezes.
Sinto o estômago revirar quando me perguntam se eu tenho certeza.
Sinto meus pés no chão quando imagino o futuro.
Sinto vontade de discutir quando me contrariam.
Sinto ódio quando perco.
Sinto vergonha quando precisam me lembrar de que vencer não é tudo.
Sinto dor quando o assunto é ciúmes.
Sinto pena de mim quando começo a pensar nessas coisas logo antes de dormir.
Eu não vou descansar, e a noite vai ser longa.

21


Vai embora logo, porque essa sua cara de quem não quer ficar me envenena mais a cada minuto. Eu não gosto de gente que está em dois lugares ao mesmo tempo, que tenta ser o mesmo com todo mundo. Quando você fecha os olhos no meio de uma frase e começa a pensar nos segundos que faltam, o relógio parece que desacelera e a ansiedade toma conta. Vai embora, vai embora, vai embora, vai embora — não finge que quer estar aqui, porque eu enxergo nos teus olhos que é mentira.

Faz esse favor para mim.
Faz esse favor para si mesmo.
VAI EMBORA, caramba!

(só você não aceitou ainda que as coisas mudaram completamente.)