E no meio da noite pude ver claramente a sombra dos livros empilhados, esquecidos em um canto e juntando poeira. Olhei pela janela e o céu, pálido e transtornado pelas luzes que nunca se apagam, já não tinha mais aquele tom de tinta azul de que eu me lembrava. E enquanto a silhueta de todos os detalhes — e lembranças, segredos e histórias — murmuravam e pediam minha atenção, um som na minha cabeça me fez perceber que era melhor voltar a dormir.
Não pensa muito de noite, menina. Escreve que é melhor.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Ilustre Desconhecida
Você passou por mim como quem não queria nada, eu estava sentado na rua apreciando o meu cigarro e logo meus olhos fixaram-se em você. O tempo passou e aquele local e aquela hora se tornaram sagradas, era sempre o momento e o local em que eu a via passar. Logo tornará-se uma paixão completamente platônica.
Mas o tempo tende a correr e logo eu a conheci, nos tornamos amigos e até demais. Eu te via em minha casa, me via na sua, nas saídas, nos lugares e cada vez mais dividia o meu espaço e tempo com você. Foram beijos trocados, carinhos passados, amassos dados, transas roladas e tantas outras coisas, mas parecia que eu nem ao menos sabia o seu nome. Agora paro para pensar, que você é uma ilustre desconhecida que nunca se deixou conhecer. O meu lado curioso urge para conhece-la... Deixe de ser essa desconhecida e deixe-me entrar no seu mundo?
Não, prometo que será rápido, uma simples olhadinha, uma simples ida para que eu a entenda e estenda a minha mão. Quero saber o seu nome, quero saber os seus gostos, quero saber de você...e talvez eu esteja apaixonado por alguém que não conheço e quanto mais conheço, mais apaixonado fico...
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sábado, 6 de outubro de 2012
God like
Escrever é como brincar de Deus, mais do que sonhar ou imaginar, escrever faz você criar mundo e realidades a seu bel prazer.
Eu sou exímio na arte de brinca de Deus, tenho inúmeras facetas, inúmeros autores escrevem através de mim, inúmeros personagens largam as suas vidas em minhas mãos e eu amo inúmeras musas. Mas até onde se pode brincar com isso? Até onde eu brinco tanto, como uma criança que não esgota a sua energia na brincadeira e sempre passa da hora de parar?
Eu sou uma criança, talvez covarde, talvez excessivamente energética, depositando todas as minhas energia numa brincadeira. Mas todos os castelos são de areia, todos os dias tem um fim e o sol se põe sempre, o tempo não é infinito e cada vez mais eu começo a me lembrar disso tudo...
Por mais que as paredes dos meus castelos sejam fortificadas, por mais que eu as repare sempre que quero, há sempre invasores, há sempre um vento que o derruba. E o herói nunca herói por tanto tempo, assim como não é imortal e o amor...
O amor é sempre belo, o amor é sempre o amor, em todas as minhas realidades, em todas as minhas facetas, em todas as minhas brincadeiras. Por um único momento, feche os olhos e venha brincar comigo, deixe que o amor norteei tudo isso como sempre, deixe que ele dite os rumos, porque não quero mais brincar de Deus, quero sim sentir esse amor de forma inesperada, andar sem saber qual é o meu destino, na estrada que não fui eu quem criou...
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Once upon a time
Ontem alguns fatos me fizeram pensar muito, dedico esse post a minha filha e a Lara.
Tudo parece como um conto de fadas, contado detalhadamente a mim. De fora, é fácil para dizer as coisas, ver as coisas, se encantar e chorar. De dentro, bom, só quem está dentro sabe o que está passando.
Eu me vejo sentando ouvindo o conto de fada passar e me sinto na platéia, torcendo para que os personagens fiquem juntos, interajo com a história, gesticulo, torço, rezo e tento até entrar no livro para fazer alguma coisa. Me derreto quando o casal fica junto e sempre acho lindo o amor e o quanto ele pode superar barreiras.
Pouco a pouco o conto de fadas vai sendo escrito, folha por folha, linha por linha, palavra por palavra. É mais do que um esforço poético, é uma vivencia maior do que isso, é uma experiência sem limites.
Faltam algumas folhas (poucas, adianto) para o final feliz e como expectador, fico a espera desse final, torcendo, interagindo, gritando e agindo. É o mínimo que posso fazer, para que eu também chegue no final do livro com um sorriso e olhe a contracapa, recapitulando a história com aquele sorriso doce no rosto e quem sabe, não seja o conto de fadas que irei contar aos meus filhos...
É tudo que posso fazer,
De coração,
Papai.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Sua fase
Esse é aqueles dias péssimos em que você tira para falar sobre alguém. A música é só porque eu gosto dela mesmo hahaha.
Mas foi uma semana um tanto complicada, pra mim e pra você. Mulheres e suas disfunções hormonais, mas também me deixou ver fases suas que eu ainda não tinha presenciado e se me permite, aqui vai um pouco das minhas observações.
Você realmente brava e me batendo com força certamente foi uma delas haha, mas você também fica muito mais manhosa nessa fase e adoro quando me da abraços assim, são segundos a mais que eu ganho nesse abraço tão gostoso, afinal temos o mesmo tamanho.
Também nunca tinha ouvido sua voz de sono e é engraçado você desacreditando quando eu digo que ela é gostoso de se ouvir e de fato é, ainda mais porque eu também estava começando a acordar naquele momento...
Texto singelo, simples e até mesmo muito clichê, mas acredito que nada é clichê quando se vem do coração e nada é igual, assim como nada passa a ser simples e sem graça...talvez nas entrelinhas exista de fato um texto realmente bonito...talvez....
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Querido Diário feelings,
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
[IM] Perfect
A rosa que eu ia te dar, deixei-a no chão e a pisoteei, o poema eu rasguei, as líricas eu destruí, os ursinhos eu queimei e os corações rasguei. Não é que eu não te ame mais, apenas cansei dessa minha faceta...
Eu não sou perfeito, longe de ser e cansei de fingir ser. Cansei tentar de ser perfeito pra você. Eu sou perfeito pra mim quando ando desarrumado e do jeito que bem entendo, quando durmo a tarde inteira sem precisar ficar me explicando, quando jogo escondido a noite até o dia seguinte e chego na sua casa e durmo. Não vou mais ficar tentando cumprir todos os seus desejos, todas as suas vontades mais loucas, chega! Não sou um príncipe sem vontades ou desejos, muito menos que isso, sou um garoto de cabelos desarrumados e roupa amassada. Estou te deixando isso e virando-lhes as costas, cabe a você querer me seguir, porque o meu caminho eu acabei de traçar...
[Fiquei levemente relutante em postar algo assim num blog que devia (ou começou) com um caráter estritamente romântico. Porém acredito que essa é também uma faceta que muitos não conheciam e eu não vou fingir para sempre ser o cara romântico perfeito. Isso também reflete um pouco do momento que agora passo, talvez uma redescoberta, talvez uma revolução. Mas assim como Fernando Pessoa, é apenas uma faceta de mim e eu nem ao menos sei qual delas eu sou, apenas sei que sou todas elas.]
Clock
Por um período longo o meu tempo parou. O relógio parou com o habitual "tic-tac" e os ponteiros congelaram em um horário que não me interessa. A vida tornou-se um ciclo, da qual eu não sabia qual era o início e nem quantas voltas eu estava dando. O tempo não me ajudava, afinal eu sempre olhava no meu relógio e o tempo era sempre o mesmo.
Até que resolvo joga-lo no chão, estilhaça-lo e caminhar pelas curvas, a rebeldia antes escondida agora se mostra em seus aspectos mais desastrosos, mais destrutivos e mais aleatórios. Eu sou o louco que canta na chuva enquanto os outros se escondem embaixo dos guarda-chuvas cinzas, aquele que dança no meio da rua quando estão vendo ou não, que não esconde o sorriso perante a simples felicidade de acordar e caminhar, que ri de si mesmo em situações constrangedoras. Eu sou o rebelde que desejei ser...
Desejar. Fosse isso que faltava para mim, olhar para o meu desejo que urrava dentro de mim, como o feroz animal da qual o instinto já tinha captado o erro que era andar em círculos, desejo que eu escondia e deixava os dos outros sempre a frente.
Mas agora o relógio não existe mais, existe apenas um chapéu de um chapeleiro qualquer, existe apenas a marca de louco na rebeldia sem lógica. Porém por tanto tempo eu nunca me senti eu mesmo, no mais profundo do meu ser, eu nunca me senti tão eu mesmo...
Talvez o rebelde não seja tão rebelde, seja apenas o que sou. Talvez o louco não seja louco, seja a mais sensata das minhas expressões. E talvez a minha arte não seja sem sentido e sim, a mais ingenua forma do meu desejo...
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